Que tal conhecer um pouco da famosa gastronomia sarda, que utiliza carnes, queijos e frutos de mar em seus pratos típicos?

Se você gosta de comer bem e tem interesse em culinária, deve estar curioso para saber como é a famosa gastronomia sarda.

Deve estar se perguntando porque os queijos, carnes, massas e legumes se destacam mais em seus pratos típicos de que os frutos do mar que os sardos têm à sua disposição em maior escala, com todo aquele mar à sua volta.

Mas o fato é que, seja qual for a base do alimento utilizado em seus pratos, a gastronomia sarda é deliciosa e conquista todos que a provam.

Bora lá entender essas opções e conhecer as deliciosas bebidas, iguarias e pratos típicos de Sardenha?

Pablo from Vigo, Espa�a, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Como é a gastronomia em Sardenha?

Ao contrário do que muita gente pensa, nem só de praia e mar vive a Sardenha. Embora utilize bem os peixes e frutos do mar à sua volta, a culinária sarda tem uma forte tradição agro pastoral, onde as comidas típicas são repletas de particularidades saborosas.

Essa tradição vem do interior da ilha, para onde grande parte  população se recolheu com a chegada dos estrangeiros, que cada vez mais ficam fascinados com a bela e doce vida em Sardenha.

A maior parte dos sardos que se retiraram para o interior de Sardenha, viraram pastores, o que explica o destaque dos queijos, massas e carnes assadas na gastronomia de Sardenha, que somente nas últimas décadas passou a utilizar mais os frutos do mar em sua culinária.

Pratos Típicos de Sardenha

O arquipélago de Sardenha possui pratos típicos saborosíssimos, que têm como base ingredientes de origem pobre, simples, cultivados e colhidos no local. Tendo o mar como quintal, grande parte dos pratos leva peixes e frutos do mar, mas a maioria das receitas leva cordeiros, carne suína e muita verdura. Confira alguns:

Scott Brenner, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

1 – Presunto de Parma

Quem não conhece ou nunca comeu o Presunto de Parma? O que muita gente não sabe é que para produzi-lo requer muito tempo e cuidados especiais, a começar da alimentação do animal que é utilizada para que ele seja qualificado e apto a ser comercializado e degustado.

O Presunto Parma é uma especialidade da Itália, um dos produtos mais conhecidos mundialmente. É um presunto delicado, saboroso, com características nutricionais que o diferenciam dos demais.  Para fazê-lo maturar naturalmente, é necessário tempo, vento e o clima típico das regiões de Parma.

Os porcos utilizados na fabricação do Presunto Parma tradicionalmente são das raças Large White e Landrace. São abatidos com nove meses de vida, no mínimo, e pesam cerca de 160kg. Os suínos vêm de criações italianas onde são alimentados com produtos naturais como cevada, milho, e soro de leite especial. As criações são feitas na área de Parma, regiões do Piemonte, Lombardia, Vêneto e algumas cidades da Emília-Romana.

O processo de cura do Presunto de Parma é trabalhoso e longo, dura entre 12 a 36 meses, dependendo do tamanho da peça. Para fazê-lo, usa-se apenas a coxa do porco e sal. Somente no processo final usa-se banha enriquecida com sal, pimenta do reino e às vezes farinha de arroz, para que não fiquem muito secos, apresentando uma carne macia.

2 – Insalata di aragosta (Salada de lagosta)

Representando a versão regional da lagosta catalã, muito famosa, a lagosta à moda da Sardenha é muito difundida. Na costa oeste de Sardenha a receita tradicional da culinária catalã foi se modificando devido às influências da Espanha. Como a Sardenha é rica em lagostas e peixes frescos, a salada de lagosta é deliciosa, tornando-se um dos pratos mais procurados para saborear em um dia quente de verão, à beira do mar.

Gianni Careddu, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

3 – Zuppa Cuata (Zuppa Gallurese)

Como o próprio nome diz, a zuppa nasceu na região da Gallura, ao norte de Sardenha, onde ficam as melhores praias da região. Zuppa significa sopa, mas embora seja usado um caldo em seu preparo, não é um prato líquido, o que torno o prato muito parecido com a lasanha. A receita é misturar fatias de diversos pães com queijo e caldo de cordeiro, e assar ao forno.

4 – Culurgiones

É um tipo de massa recheada, originária de Ogliastra, que foi ganhando fama na região até tornar-se um dos mais populares pratos da Sardenha. Os Culurgiones são feitos com uma massa de farinha de trigo, no formato de grandes raviólis. São recheados com batata e hortelã e acompanhados com muito queijo pecorino, mas o recheio varia de acordo com cada região. Como quase todas as massas italianas, são servidos com manteiga e sálvia ou com molho de tomate.

O modo de fechá-los é que os caracteriza. Os Culurgiones são fechados por uma técnica onde são embalados como se fossem um presente, em forma de grandes grãos de trigo. Essa técnica chama-se spighitta e, originalmente, os Culurgiones eram presenteados a pessoas queridas como um amuleto, onde o trigo representa os desejos de fartura.

comicpie from Taiwan, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

5 – Espaguete com Bottarga

Chamada de Caviar do Mediterrâneo, a Bottarga é uma das iguarias mais saborosas e famosas de Sardenha. É feita com ovas de tainha secas e podem ser degustadas como entrada, em fatias finas, ou como temperos de massas, como linguine ou espaguete.

Assim o Espaguete com Bottarga tornou-se um prato típico de Sardenha, um prato com sabor único, requintado, proveniente de uma receita elegante, mas simples e fácil de preparar. É só cozinhar a massa, escorrê-la, acrescentar raspas de um limão, um bom punhado de Bottarga e azeite.

Foto: Sem Medida

6 – Fregola com frutos do mar

O nome fregola deriva do latim ferculum, que quer dizer migalha. A Fregola de Sardenha vem de antiga tradição da ilha, um tipo de massa com origem semelhante às do cuscuz marroquino, que é feita de sêmola de trigo e tostada ao forno, o que agrega um sabor delicioso.

Esse tipo de massa pode ser combinado com diversos tipos de molho, sendo que a versão mais tradicional leva mexilhões e vongole, o que destaca o sabor do mar. Existem, ainda, as versões vegetarianas muito saborosas, feitas com cogumelos e legumes ou somente com verduras.

Shardan, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

7 – Malloredos

Conhecidos em toda Itália como nhoques de Sardenha, os Malloreddus são feitos com sêmola de trigo duro e água. Atualmente são industrializados e podem ser encontrados em qualquer supermercado, mas nada se compara à tradicional massa fresca, onde os Malloreddus são feitos à mão.

Na versão artesanal a massa é comprimida em uma espécie de peneira de juncos entrelaçados a mão, o ciuliri, onde tende a enrolar conforme é amassada, o que deixa a superfície dos Malloreddus listradas, dando-lhe uma característica especial que retém o molho. O molho que é servido com os Malloreddus é, tradicionalmente, feito com tomates e linguiça.

Alessio Sbarbaro User_talk:Yoggysot, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

8 – Burrida a sa casteddaia

É um prato típico de Cagliari, feito com um tipo de tubarão parecido com o cação, o tubarão pata-roxa, onde a carne do peixe é cozida e colocada em um recipiente em camadas, alternando com um molho especial.

O molho é feito com o fígado do peixe, azeite, nozes, alho, salsa e pimenta malagueta, onde o peixe deve marinar no mínimo um dia e uma noite antes de ser servido.

9 – Panadas

É um prato feito a base de uma massa rígida de trigo, de formato arredondado, recheada com carnes cortadas em cubos pequenos e legumes. São levadas ao forno, onde os ingredientes cozinham e liberam líquidos e aromas que cozinham a panada por dentro. O recheio varia muito, de acordo com a disponibilidade de cada região. Em uma de suas versões mais utilizadas o recheio é feito com carne de cordeiro picadinha, onde se acrescenta alcachofras ou ervilhas.

Japs 88, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

10 – Porceddu

Esse prato típico da Sardenha nada mais é do que leitão no espeto, que deve ter, no máximo, de 4 a 6 quilos. O porco deve ser cozido em fogo alto, sobre brasas, ao ar livre. Enquanto o leitão é cozido inteiro, adiciona-se folhas de murta sobre o mesmo, que tradicionalmente é servido em bandeja de cortiça.

11 – Seada

É o doce típico mais conhecido de Sardenha. Consiste de uma massa recheada com queijo Pecorino não curado e depois frita. A massa tem aroma de limão e é servida coberta com açúcar ou mel de laranjeira. Pode-se usar, ainda o mel de flores silvestres.

Queijos típicos de Sardenha

Existem três tipos de queijos em Sardenha que levam a Denominação de Origem Protegida (DOP), a qual garante sua procedência e qualidade:

Queijo Pecorino Sardo
The original uploader was Frankie816 at English Wikipedia., Public domain, via Wikimedia Commons

1 – Queijo Pecorino

O queijo pecorino da Sardenha é um queijo que vem do leite gordo da ovelha, e se divide em dois tipos: o leite doce e o leite maduro.

O queijo feito como leite doce fica maduro no prazo de 20 a 60 dias, e apresenta as seguintes características: por dentro é macio, branco e fica compacto quando cortado. Possui sabor levemente azedo, aromático e delicado.

O queijo feito com leite maduro demora de 5 a 6 meses para amadurecer. Quando pronto, fica duro por dentro, na cor branca ou levemente amarela, e pode ser compacto ou lascado. Tem sabor bem aromático e muito forte.

Deanna from Chicago ‘burbs, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

2 – Queijo Pecorino Romano

É um queijo clássico e, embora leve o nome de Roma, seu maior produtor é a Sardenha. É considerado um produto típico de Sardenha, com DOP da ilha. Sua produção se dá por um método antigo, onde se utiliza leite gordo aquecido, onde é adicionado coalho de cordeiro ou cabrito.

Essa coalhada é despejada em moldes, que são perfurados com pedaços de pau para liberar o soro, e depois de seco e salgado fica amadurecendo por oito meses, período em que é sempre limpo e massageado com óleo para evitar que sua crosta rache. Ao final do processo os queijos recebem uma tintura marrom de argila especial.

O Queijo Pecorino Romano é muito apreciado quando bem envelhecido, quando fica com um sabor mais forte e com textura dura, granulada e fresca, como uma pasta macia com sabor doce e aromático.

3 – Queijo Fiore

É um queijo feito com leite de ovelha que possui DOP e leva o selo do Presídio Slow Food.

O Queijo Fiore é feito exclusivamente com leite de ovelha fresco, gordo e coagulado com coalho de cordeiro, o que resulta um queijo cru e duro. Ainda é feito com métodos antigos por fazendas pastorais comerciais. O leite é processado sem qualquer tipo de tratamento e o coalho utilizado geralmente é feito de forma caseira.

Quando pronta, a massa é transferida para moldes de forma cônica, truncados. Geralmente esse tipo de queijo é consumido como prato principal ou ao final da refeição, mas é também utilizado amplamente como queijo ralado.

 

Vinhos da Sardenha

Além de preços convidativos, os vinhos da Sardenha são distintos e saborosos. Os vinhos tintos são uma delícia, principalmente aqueles feitos com as uvas Cannonau, mas os brancos também são ótimos, em especial os Vermentinos.

Os vinhos da Sardenha, até mesmo os familiares, são assim excelentes devido ao forte sol da ilha, que aliados ao Scirocco, o severo vento do norte, dão características fantásticas aos vinhos da ilha. Confira alguns deles:

  • Carignano

É um vinho tinto da casta Carignan, conhecido pela cor púrpura escura. Os vinhos da variedade Carignano têm adstringência cortante e altos níveis de taninos. Rústicos e deliciosos, são os mais potentes vinhos sardos. Exceção a essa regra são os Carignanos da DOC Sulcis, que apresentam características mais intensas, com sofisticação e classe.

  • Cannonau di Sardegna Jerzu

É um vinho da casta Grenache ou Garnacha tinta, castas excelentes para quem aprecia vinhos com fruta intensa. Os vinhos da Cannonau têm baixa acidez, são bem trufados, principalmente com cerejas e framboesas), e levam notas de licor, chocolate e café, além de especiaria. Outros excelentes vinhos da Cannonau são os rosés-secos, bem encorpados.

  • Monica di Sardegna

É um vinho da casta Monica, fabricado com uvas de médio corpo cultivadas no sul da Sardenha. Possui notas aromáticas de menta, cerejas amoras. Os vinhos são complexos e profundos.

Vinhos
Foto: Palato.com.br
  • Nuragus

A casta Nuragus é responsável por vinhos ácidos, com agradáveis sabores de amêndoas e maçã verde. Excelente para acompanhar pratos feitos com frutos do mar, muito comuns em Sardenha.

  • Vermentino

O vinho Vermentino é feito com a uva Vermentino, a famosa uva branca da Sardenha. É uma uva muito aromática, com sabor de abacaxi, com notas de erva doce e sálvia. Possui relativa baixa acidez e boa mineralidade. Embora seja plantada na Ligúria e na Toscana, a uva plantada na zona da Gallura, na Sardenha, atinge maior riqueza e concentração.

  • Torbato

O vinho branco Torbato é pouco fabricado, mas é uma estrela da Sardenha, e lembra os aromas da Vermentino, só que mais estruturados e intensos.

Outras bebidas de Sardenha

  • Amaro Sardo – é um licor amargo feito com ervas aromáticas.
  • Filuferru – é uma aguardente bagaceira, obtido com a destilação do bagaço de uva.
  • Ichnusa – É uma marca de cerveja aromatizada com lúpulo, que lhe dá um sabor meio amargo. Produzida desde 1912, a partir de 1986 passou a ser propriedade da multinacional holandesa Heineken.
  • Limoncello – É um licor feito com suco de limão, originalmente do Sul da Itália, que hoje é produzido também em Sardenha.
  • Mirto – É um licor que pode ser branco ou tinto, produzido com murta.
  • Villacidro – É um licor feito com açafrão e anis, proveniente de Villacidro, que fica no sul da ilha.

Conclusão:

O que achou de me acompanhar nesse tour virtual pela gastronomia de Sardenha?

Se gostou e deseja conferir um pouco de tudo o que falamos, nada melhor do que fazer um tour gastronômico para degustar pratos deliciosos e conhecer a região de Sardenha, durante a viagem que está programando para a Itália, não é mesmo?

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Sobre Deyse RibeiroEu sou Deyse Ribeiro, proprietária e editora do Portal Tour na Itália, especialista em turismo na Itália, onde vivo desde 2007. Depois de muito estudo, cursos e experiência no campo do turismo enogastronômico, decidi que queria apresentar a história por trás do prato, de uma forma diferente, através da memória histórica, o que fez chegar hoje nas nossas mesas, os “casos”, o trabalho, a cultura, e o amor pela culinária italiana. Pegue o seu garfo e vamos nessa!

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